Este blogue é feito de memórias, de vivências, de desejos, de realidade e de sonho. Nele pulsa a infância e a eterna procura dela. É dedicado aos meus netos.
No passado 14 de março, a C. teve a sua 2ª audição pública de violino.
Desta vez coube-lhe música tradicional, o "Frei João"...
Apresentou-se compenetrada e serena e nem um pequeno engano a deixou com qualquer tipo de atrapalhação. Ao ritmo, retomou o som das cordas que se transformavam com os movimentos dos seus dedinhos e do arco na melodia que todos reconheciam...
Aqui ficam 3 versões, em português, francês e inglês..
A mãe do T. tinha-lhe lido o poema de Herodes, o tal das tranças que não gostava de crianças...
O T. gosta muito de histórias, de livros e nota-se que é muito sensível às palavras.
Assim, depois de ter decorado e dito a poesia anterior com os primos, quis a do rei que não gostava de crianças... (aliás, uma das suas perguntas quando chegou no dia em que íamos fazer o presépio era se tínhamos o rei que não gostava de crianças...). Então, decidi apoiá-lo e seleccionei uma parte do poema, a que me pareceu mais acessível. Assim foi. Servi de ponto e o T. lá foi dizendo (repetindo)
Era uma vez, lá na Judeia, um rei. Feio bicho, de resto: Uma cara de burro sem cabestro E duas grandes tranças. A gente olhava, reparava, e via Que naquela figura não havia Olhos de quem gosta de crianças.
Só que não ficou satisfeito... faltava dizer "que não gosta de crianças..."
Conclusão... Treinei com ele uma vez - eu dizia e ele repetia - e lá fomos fazer novamente a apresentação ao público. Desta vez, com o poema COM-PLE-TO! Então, depois de repetir a primeira estrofe, continuámos
E, na verdade, assim acontecia. Porque um dia, O malvado Só por ter o poder de quem é rei Por não ter coração, Sem mais nem menos, Mandou matar quantos eram pequenos Nas cidades e aldeias da Nação. Mas, Por acaso ou milagre, aconteceu Que, num burrinho pela areia fora, Fugiu Daquelas mãos de sangue um pequenino Que vivo sol da vida acarinhou; E bastou Esse palmo de sonho Para encher o mundo de alegria; Para crescer, ser Deus; E meter no inferno o tal das tranças, Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
Andresen, Sophia de Mello Breyner (selecção). (1991). Primeiro Livro de Poesia. (7ª ed.). Lisboa: Caminho, p.77
imagem retirada de http://geopedrados.blogspot.pt/2007/12/natal_22.html
Pus-me a contar as estrelas com a ponta da minha espada comecei à meia-noite e acabei de madrugada Pus-me a contar as estrelas com a ponta da bainha comecei à meia-noite e acabei de manhãzinha Pus-me a contar as estrelas sobre a pedra da coluna contei: sete, seis e cinco quatro, três, duas e uma.
Vieira, Alice (1994). Eu bem vi nascer o Sol. Antologia da poesia popular portuguesa. (2ª ed.). Lisboa: Caminho, p. 127.
Este ano, pensei que os netos podiam fazer uma surpresa à família no dia de Natal. Seleccionei um poema simples e, juntamente com o J., o mais velho, decidimos como seria a apresentação. Cada um decorou a sua parte e foi um momento memorável!!! A primeira estrofe coube ao J. A segunda, ao T. A terceira à C. que, no último verso, foi acompanhada pelo J. E foi vê-los, sem um engano, cada um na sua vez... E, no final, os exuberantes agradecimentos! O T. então, quase chegava com a cabeça ao chão...
No dia em que o T. esteve dedicado a construir a cidade de Jesus, a C. teve um compromisso social. Mesmo assim, quando chegou, arranjou modo de reconstruir quase tudo e de fazer a sua Barbie tomar parte daqueles que vieram adorar o Menino!!
É sempre com grande entusiasmo que os netos participam na organização do presépio. Já era natal por todo o lado, principalmente nas catedrais de consumo, e ainda a nossa casa permanecia discreta sem sinais de natal, quando o T. pergunta se já tínhamos... qualquer coisa que não conseguíamos perceber... Até que exclama, rápido e decidido:
- Avô, a cidade de Jesus!
É claro! O T. queria saber quando é que ia fazer a cidade de Jesus!
Qual pinheiro de Natal, qual Pai Natal! A cidade de Jesus, pois!
A cidade de Jesus em construção
I. É melhor que os Reis Magos se ponham já a caminho!
II. As ovelhinhas devem estar bem juntinhas, não vá acontecer perderem-se...
III. É altura de começar a pensar em aquecer e preparar a gruta onde vai ficar o menino "com os pais"...
Desta vez, o J., ciente da sua maior idade, deixou que o primo, tranquilamente, se entretivesse com as muitas figuras que povoavam a cidade. Ele já tinha dado apoio ao avô, que as cidades prontas para ser habitadas precisam de quem lhes prepare o terreno e faça o chão...
No passado dia 26 decidimos ir novamente ao Pavilhão do Conhecimento, desta vez à exposição sobre os Angry Birds. Mas é claro que, à saída, o J. teve de trazer foi 2 dinossauros (e não foi um grande porque o pai achou um escândalo dar 20 moedas por ele) e dos livros que lhe dei a escolher o que achou mais interessante foi uma enciclopédia de dinossauros da Science 4 you.
Portanto, quanto a Pássaros zangados estamos esclarecidos... Convenhamos que comparar passaritos que utilizam catapultas e outros truques de engenharia, ainda que muito zangados, pouco são comparados com dinossaros voadores,
dinossauros corredores, carnívoros, rápidos e assustadores (Velociraptor)
e pesadíssimos, enormíssimos, ferocíssimos dinossauros carnívoros (Tiranossaurus Rex, Lagarto Tirano Rei, à letra, mais conhecido por T. Rex)
Agora, uma questão assaz pertinente... Porque é que o T. Rex tem os braços tão pequeninos???
Acaba até por lhe dar um certo ar cómico (cómico porque eles já estão muito mortos, é claro!!).
Essa situação foi, até, motivo de piadas entre o J. e o pai. Ora vejamos...
Um T. Rex está na escola e a professora faz uma pergunta. O T. Rex sabe a resposta, põe o dedo no ar, mas o bracinho é tão pequenino que a professora não vê...
Era ver o J. a rir com gosto e a imitar o bracinho no ar do T. Rex...
E para acabar este post, um video sério sobre o assunto, mas feito de uma maneira muito apelativa
O primeiro post sobre dinossauros data de 2011... Tinha o J. 3 anos, portanto. Nos anos subsequentes vão aparecendo notícias desses animais acerca dos quais o J. se assegurou de que estavam "muito mortos". Vem de há muito o interesse do J. por esses animais monstruosos do tempo em que a Terra não era ainda morada de humanos. Hoje, com 9 anos feitos, os dinossauros continuam a suscitar a sua curiosidade e o seu conhecimento tem vindo a aprofundar-se. O seu interesse continua vivo, agora alimentado também pelo visionamento do filme de Spielberg, Jurassic Park, de que me mostrou já um conjunto de cenas. Ficou combinado que o havíamos de ver juntos. Entretanto, fez questão de explicar que esse filme não pode ser visto por meninos com menos de 6 anos, porque ficam com medo. Quis assegurar-se com certeza de que eu não teria a ideia de o mostrar ao T.
Nem de propósito, no dia imediatamente a seguir ao fim da estadia do J. connosco, apanho, completamente por acaso, o Parque Jurássico no canal Hollyood. Não perdi a oportunidade de o (re)ver, com a memória já reavivada pelas cenas que o J. me tinha mostrado. Concordo com ele quando diz que não deve ser visto por meninos pequenos. O filme está muito bem feito, os animais são assustadores, tem suspense e muito sangue...
Estou a referir-me ao Jurassic Park de 1993. As cenas que o J. me mostrou pareceram-me ser todas dele. Mas não tenho a certeza. De qualquer modo, está prometido um Jurassic Park!!
A C. gosta muito de dançar. E desde muito cedo que vai a espectáculos de bailado e assiste até ao fim. Sem enfado nem sacrifício. Este ano, de novo, pela altura do Natal (mais precisamente a 17 de dezembro), a mãe levou-a ao Teatro Camões para ver O Lago dos Cisnes, bailado que já lá o tinha visto, não sei precisar exactamente quando.
Só que, desta vez, as coisas não correram tão bem, nem para ela nem para nós (mãe e avós) que a acompanhavamos.
Primeiro: a C. estava mal disposta, adoentada, com dores de garganta. Esteve desassossegada, o que nela não é habitual, durante os dois primeiros actos, quer dizer, até ao intervalo.
Segundo: o filme de Edgar Pêra, que me surpreendeu agradavelmente da primeira vez que o vi, provocou-me agora, na ligação com os movimentos do bailado uma sensação perturbadora e incomodativa. Como que uma permanente interferência que, em certas alturas, não deixava usufruir plenamente da beleza dos movimentos dos bailarinos. Considerei as imagens cansativas e excessivas.
Conclusão: após o intervalo a C. não quis continuar. A mãe achou por bem vir embora. E eu também. Em certa medida, tive pena. O corpo de bailarinos era muito bom, especialmente a bailarina principal.